quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sabias Esperanças


Sabe aquele dia com o qual você sonha a sua vida inteira? E quando você tem um tempo consigo mesma, um tempo para refletir, repensar, planejar e, tudo que vem a sua mente se resume a momentos que você sonha viver com todas as suas forças. E você sabe que se eles acontecerem será o dia mais feliz de sua vida... só de pensar nestes momentos tornando-se reais você enche de ar os pulmões até doer, você sente medo e vontade, sente uma ligeira alegria que escorre pelas suas mãos assim que a realidade te chama.
Sonhar e desejar com tanta vontade assim é percorrer a metade do caminho... daí, quando você menos espera, o destino descortina diante de seus olhos marejados aquilo que você via apenas em seus pensamentos. É como dizem por ai: o melhor da festa é esperar por ela! Não importa se a festa for apenas um bolinho com refrigerante... (risos) Esses momentos são mágicos e nem sempre visíveis aos olhos alheios. Simples pra uns, plenos de felicidade pra outros. Pra quem vê de fora pode parecer apenas mais uma cena do cotidiano, como por exemplo, uma garota ganhando um bombom do namorado, um louco ultrapassando seu carro, um casal de mãos dadas à beira rio que de repente se abraçam e rodopiam, um curativo no supercílio da menina, amigas tomando coca-cola num barzinho, uma troca de olhares que você presencia na rua, amigos vendo fotos antigas na pizzaria em que você parou porque estava com o estomago roncando... Na verdade, a garota que ganhou o bombom recebeu também o pedido de casamento mais surpreendente e emocionante do rapaz que declara todo o amor que sente diante de pessoas estranhas, exatamente como ela sonhara um dia. O cara do carro que você inevitavelmente xingou está a caminho da maternidade e verá pela primeira vez o rostinho que esteve em seus sonhos desde que sua namorada havia lhe dado a notícia em uma noite quente onde muitas pessoas buscavam uma brisa fresca vinda do rio em uma tranqüila caminhada, e você estava lá ... A menina do curativo havia passado no primeiro vestibular. As meninas brindam com coca-cola o ultimo ano na faculdade, o ano em que todos os esforços serão recompensados com um grande baile de longos vestidos azuis com o qual sonharam desde que também perderam a metade da sobrancelha pela noticia de ser uma nova universitária. O olhar?! Foi aquele amor a primeira vista que a menina esperava desde pequena e para ele enfim, aquela menina que lhe tirou o fôlego e o fez sentir a sensação que ele tinha quando pensava naquela que seria a mãe dos seus filhos. E os amigos? Na verdade não são! São irmãos que nunca tinham se encontrado vendo fotos de sua família e conversando como se tivessem ensaiado. Na verdade estavam ensaiados... haviam sonhado com o encontro por anos a fio.
Por isso sonhe, imagine, deseje ardentemente, pois há poder nos nossos pensamentos e são sabias as esperanças do nosso coração.

by Julyana Andrade

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ouvindo a voz do meu TELEFONE




19h56min. Sábado. Toca o telefone. A preguiça de atender vence a curiosidade de saber quem deseja falar comigo. Silencio. Agora tenho certeza: sei que o amor acabou quando o telefone toca e não dou à mínima.
Que ironia! Há alguns dias, talvez semanas, ao primeiro sinal da campainha do telefone o coração disparava, as mãos suavam, o tempo parecia parar até que, rapidamente, eu voltava a mim com tanta esperança que a transformava em quase certeza: é Ele... Então, corria desesperadamente em busca do tal aparelho que poderia estar em qualquer lugar da casa. Mesinha de centro? Não. Embaixo das almofadas do sofá? Não. Cama? Não. Geladeira... (?!) Não. Nada... E, pelos meus cálculos de especialista no assunto o próximo seria o ultimo toque (e também a minha ultima chance de saber quem me ligava!). Lembrei quase que subitamente que muitas vezes o deixava na rede de dormir da varanda onde me desiludi por tantas outras vezes - atendia o aparelhinho e era a mamãe querendo saber se havia me alimentado bem, se havia tomado o remédio para controlar a alergia e recomendando o uso de protetor solar quando saísse de casa e, mais uma vez não era Ele! - Enfim, o achei no fundo da rede. Boa!

- Alo? Quem fala?
- Alo? É da padaria Portuguesa? Eu quero encomendar...
- Não senhora... Não é da padaria Portuguesa...
- Desculpe minha filha, me enganei...

Cruel realidade! Não era ele ligando para desejar uma boa noite, nem para desculpar-se por ter pisado na bola comigo, muito menos para convidar-me para um jantarzinho romântico onde certamente faríamos as pazes.
E hoje, nem quis saber quem me ligava. Não me passou pela cabeça em nenhum momento que poderia ser o meu ex. Não há mais amor!
19h59min. O telefone toca mais uma vez. Não custa nada esticar o braço e pegá-lo, afinal, agora ele está aqui ao meu lado no balcão da cozinha onde eu tomo uma taça de vinho, preparo o meu jantar e vou cronometrando o tempo que falta para retirar dos meus cabelos um creme hidratante.

- Alo?
- Alo? Tudo bem com você?
- Tudo bem sim... Mas quem fala?
- É o Michel. Lembra de mim? Fomos apresentados pelo João na boate fim de semana passado, lembra?
- Você? – misto de surpresa e alegria afinal, ele havia me olhado a noite inteira e na hora em que íamos embora o sujeito parou a minha amiga pra conversar e não a mim.
- Isso... Tive a ousadia de pedir seu telefone a sua amiga, fiz mal?
(...)

Horas ao telefone. Todos os dias nos falamos. Nos falamos, nos vemos e ficamos juntos. E estão de volta os antigos sintomas ao toque do aparelhinho mágico: coração disparando, mãos suando, tempo parando, buscas ao tesouro (telefone) perdido...
Mais uma vez é assim.
Todo dia é assim.
De dez ligações, oito são dele.
E sei que quando o telefone toca e escuto do outro lado aquela voz tenho certeza: mais uma vez é amor!
by Julyana Andrade