
19h56min. Sábado. Toca o telefone. A preguiça de atender vence a curiosidade de saber quem deseja falar comigo. Silencio. Agora tenho certeza: sei que o amor acabou quando o telefone toca e não dou à mínima.
Que ironia! Há alguns dias, talvez semanas, ao primeiro sinal da campainha do telefone o coração disparava, as mãos suavam, o tempo parecia parar até que, rapidamente, eu voltava a mim com tanta esperança que a transformava em quase certeza: é Ele... Então, corria desesperadamente em busca do tal aparelho que poderia estar em qualquer lugar da casa. Mesinha de centro? Não. Embaixo das almofadas do sofá? Não. Cama? Não. Geladeira... (?!) Não. Nada... E, pelos meus cálculos de especialista no assunto o próximo seria o ultimo toque (e também a minha ultima chance de saber quem me ligava!). Lembrei quase que subitamente que muitas vezes o deixava na rede de dormir da varanda onde me desiludi por tantas outras vezes - atendia o aparelhinho e era a mamãe querendo saber se havia me alimentado bem, se havia tomado o remédio para controlar a alergia e recomendando o uso de protetor solar quando saísse de casa e, mais uma vez não era Ele! - Enfim, o achei no fundo da rede. Boa!
Que ironia! Há alguns dias, talvez semanas, ao primeiro sinal da campainha do telefone o coração disparava, as mãos suavam, o tempo parecia parar até que, rapidamente, eu voltava a mim com tanta esperança que a transformava em quase certeza: é Ele... Então, corria desesperadamente em busca do tal aparelho que poderia estar em qualquer lugar da casa. Mesinha de centro? Não. Embaixo das almofadas do sofá? Não. Cama? Não. Geladeira... (?!) Não. Nada... E, pelos meus cálculos de especialista no assunto o próximo seria o ultimo toque (e também a minha ultima chance de saber quem me ligava!). Lembrei quase que subitamente que muitas vezes o deixava na rede de dormir da varanda onde me desiludi por tantas outras vezes - atendia o aparelhinho e era a mamãe querendo saber se havia me alimentado bem, se havia tomado o remédio para controlar a alergia e recomendando o uso de protetor solar quando saísse de casa e, mais uma vez não era Ele! - Enfim, o achei no fundo da rede. Boa!
- Alo? Quem fala?
- Alo? É da padaria Portuguesa? Eu quero encomendar...
- Não senhora... Não é da padaria Portuguesa...
- Desculpe minha filha, me enganei...
Cruel realidade! Não era ele ligando para desejar uma boa noite, nem para desculpar-se por ter pisado na bola comigo, muito menos para convidar-me para um jantarzinho romântico onde certamente faríamos as pazes.
E hoje, nem quis saber quem me ligava. Não me passou pela cabeça em nenhum momento que poderia ser o meu ex. Não há mais amor!
19h59min. O telefone toca mais uma vez. Não custa nada esticar o braço e pegá-lo, afinal, agora ele está aqui ao meu lado no balcão da cozinha onde eu tomo uma taça de vinho, preparo o meu jantar e vou cronometrando o tempo que falta para retirar dos meus cabelos um creme hidratante.
- Alo?
- Alo? Tudo bem com você?
- Tudo bem sim... Mas quem fala?
- É o Michel. Lembra de mim? Fomos apresentados pelo João na boate fim de semana passado, lembra?
- Você? – misto de surpresa e alegria afinal, ele havia me olhado a noite inteira e na hora em que íamos embora o sujeito parou a minha amiga pra conversar e não a mim.
- Isso... Tive a ousadia de pedir seu telefone a sua amiga, fiz mal?
(...)
Horas ao telefone. Todos os dias nos falamos. Nos falamos, nos vemos e ficamos juntos. E estão de volta os antigos sintomas ao toque do aparelhinho mágico: coração disparando, mãos suando, tempo parando, buscas ao tesouro (telefone) perdido...
Mais uma vez é assim.
Todo dia é assim.
De dez ligações, oito são dele.
E sei que quando o telefone toca e escuto do outro lado aquela voz tenho certeza: mais uma vez é amor!
by Julyana Andrade
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